Revista Infra Março/Abril 2018

Revista Infra Março/Abril 2018

82 INFRA Outsourcing & Workplace GESTÃO DE ATIVOS | por Bruno Diesel Gellert* CAPACIDADE OCIOSA: COMO APROVEITAR MELHOR NOSSAS MÁQUINAS? Existem algumas saídas possíveis, mas teríamos também que nos inspi- rarmos em países como a Alemanha, a China e os Estados Unidos, onde as fábricas produzem quase 24 horas por dia. Aqui no Brasil, a tendência é pen- sarmos na capacidade instalada consi- derando apenas um turno de oito horas de segunda a sexta-feira, com algumas exceções. Se pensarmos que amáquina parada também é custo, teríamos mais ganhos de escala usando o parque fabril de formamais intensiva. Mas isso requer planejamento e a busca de oportunida- des em mais de um setor. Faz sentido investir pesado em uma máquina, para deixá-la rodando apenas durante oito horas ou menos? Outro aspecto a ser considerado é a questão dos turnos. Recentemen- te, a Federação das Indústrias do Es- tado de São Paulo (Fiesp) divulgou pesquisa feita com mil indústrias em 2017, entre os meses de abril e maio, em que destaca pontos interessantes: nas fábricas paulistas, a utilização de capacidade instalada está atualmente em 67,5%, sendo que o maior nível de uso aconteceu em 2004. Considerando desde lá, a produtividade média fica em torno de 82,1%. Para atingir essa capa- cidade, as plantas fabris utilizaram, 7,2% de horas extras sobre o total de ho- ras trabalhadas normais (8h). Com as extras, elas são capazes de produzir 18,8% a mais que seumaior nível alcan- çado e adotando turnos adicionais, a produção pode aumentar até 28,8%, ou seja: existe espaço para crescer. Mas como fazer sem demanda? O fato é que antes de pensarmos em saídas, sempre nos apegamos à ques- tão da demanda fraca. Ela é a segun- da maior preocupação da indústria, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), perdendo apenas para a carga tributária, entre os assuntos que tiram o sono dos fabricantes. Essas são questões realmente impactantes e que pesam nos negócios, mas que fogem totalmente ao nosso controle. O que poderíamos fazer, então? Devería- mos manter constantemente em nossa mente, que aproveitar aomáximo o uso de recursos, aumentaria a nossa chance de recuperar os ganhos. E não preci- samos esperar a retomada econômica para pensar nisso. Buscar maior flexibilidade para o atendimento da demanda de diferentes mercados pode trazer uma oportunidade para aproveitar oaquecimentode setores distintos, produzindopara cada umdeles nas épocasmais vantajosas. Percebendo o aquecimento de umdeterminadomer- cado, você pode usar a sua capacidade ociosa para atender essa demanda. En- tão, por que não se planejar? * Bruno Diesel Gellert é Engenheiro de Mate- riais formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), Coordenador do Grupo de Trabalho de Manufatura Avançada (GTMAV) da Associação Brasileira da Indústria de Má- quinas e Equipamentos (Abimaq), e do Indtech da ABStartups, comitê de startups industriais. N ossa indústria é tida há tempos comuma utilização da capacidade de produção abaixo da que é verificada em outros países. Claro que parte do problema se agravou com a oscilação da demanda por conta das recentes crises econômicas e não podemos ne- gar isso. Mas, por outro lado, mesmo que os atuais índices de ociosidade es- tejam acima da média registrada nos últimos dois anos, muito antes da tur- bulência na economia, nossas fábricas já apresentavam a necessidade de um uso mais intensivo e planejado de suas máquinas. Essa atitude poderia ter aju- dadomuitas empresas a passarem com mais tranquilidade pelo atual momento de recessão, além de prepará-las para quando a economia reaquecer. Para se ter uma ideia, oNível deUtiliza- çãodaCapacidade Instaladada Indústria (Nuci) passou dos 85% em 2008, época em que as indústrias viveram seu auge. Calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), omesmo índice havia caído para a casados74,7%emjulhode2017, devendo se recuperar lentamente. Mas se conside- rarmos amédiahistórica, calculadadesde 2005, ousoda capacidade acabou se mantendo em torno de 80,7%. Então, se descontarmos a mar- gem de segurança dentro desses 20% ociosos, ain- da sobraria espaço para incrementar a produção. Quandoademandaaque- cer, nãopoderíamos apro- veitar essa ociosidade? Divulgação

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