Revista Infra Março/Abril 2018

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83 INFRA Outsourcing & Workplace INCÊNDIO | por Mauricio Almendro* e Renato Rosseto** PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIOS EM ESTABELECIMENTOS DE ATENÇÃO À SAÚDE: UM TEMA QUE DEMANDA MUITO CUIDADO alto risco de incêndio, como geradores ou entradas de energia, somados a uma operação que roda 24 horas, fazem com que todas as atenções sejam voltadas paraesse risco iminente e geralmentenão considerado com a devida importância. A legislação existente é bastante am- pla e configura uma grande ferramenta para os hospitais reduzirem ao máxi- mo o risco de incêndio. Os principais problemas para sua aplicação são a dificuldade na formação da brigada de incêndio, que demanda a mobilização de um contingente muito grande de colaboradores para treinamento exter- no e o alto investimento para correção e adaptação de todas as exigências normativas, já que temos uma parcela muito grande de edifícios hospitalares antigos e desatualizados. OCorpodeBombeirosdecadaEstado possui instruções técnicas próprias e tem contribuídomuitoparaoassuntocomuma maior frequênciadevistoriasaoshospitais eexigênciadascorreçõesnecessárias. Exis- temmuitas empresas e especialistas que tambémoferecemconsultoriaseauditorias para os sistemas de combate a incêndio, mas deve se ficar muito atento às referênciasequalidadedessespro- fissionais. Tem-se também diver- sas metodologias para avaliação e implementação de um plano eficaz de combate a incêndio e cada hospital deve analisar qual a melhor opção de custo/benefí- cio. Um modelo baseado na me- todologia PDCA, pode ser aplicado para esse processo, tendo em vista o caráter pedagógico do planejamento tanto para a alta direção do estabelecimento, como para os níveis operacionais de execução. Oprincípio de incêndio emuma edifi- cação coloca emrisco tanto a estrutura fí- sica como a vida de seus ocupantes. Isso indica a necessidade de se promover e reforçar práticas seguras de trabalho, de proporcionar ambientes livres de riscos, de controlar materiais e equipamentos contra a eventualidade de umprincípio de incêndio, de sinalização clara das saí- das de emergência e treinamento dos profissionais de saúde para uso dos equipamentos de combate a incêndio. De nada adiantamequipamentos sofisti- cados de prevenção contra incêndio, se não houver pessoas treinadas e capacita- das, para agir demaneira rápida e segura. Cada atraso pode ser determinante no desfecho, pois a ação precoce é mais efetiva que as evacuações. * Mauricio Almendro é Diretor de Operações na área da Saúde. ** Renato Rosseto é Diretor de Riscos e Qualidade. Ambos são Executivos no Grupo Verzani & Sandrini. Fotos Divulgação D esde a criação dos primeiros hospi- tais europeus, no século XVIII, o edi- fício hospitalar vem sofrendo alterações de projeto que acompanham a evolu- ção das necessidades dos pacientes e as inovações científicas. Inicialmente, com estrutura em pavilhões horizon- tais, evoluírampara o uso da ventilação e iluminação natural como forma de combate à infecção. A dificuldade como deslocamento e a pressão por redução da área ocupada trouxeram um novo formato para hospitais em torres, que após a metade do Século XX, evoluíram para uma basemultifuncional com torre geralmente reservada para a internação. Os hospitais mais modernos incor- poram novos conceitos em seus proje- tos que incluemambientação, hotelaria, equipes multidisciplinares e a constante transformação dos espaços. Atualmen- te, os edifícios hospitalares são de alta complexidade, não somente no sentido das interações e interferências diárias, bem como nas incertezas e indetermi- nações que envolvem essa operação. Os primeiros registros sobre preven- ção contra incêndios em hospitais são dos anos 1930, mas o debate somente se intensificou nas últimas décadas, com a aceitação da criticidade deste assunto, a evolução da tecnologia, a legislação vigente e a incorporaçãodo assuntopela arquitetura hospitalar. A dificuldade de locomoção interna dos pacientes, os di- versosmateriais inflamáveis utilizados em hospitais e a existência de instalações de

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